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O Gambá - Uma espécie incompreendida
FILO: Chordata
ORDEM: Marsupialia
FAMÍLIA: Didelphidae
NOME POPULAR NA AMÉRICA DO NORTE: opossum
NOME POPULAR NO BRASIL: Na Amazônia: mucura; na Bahia: suruê ou sarigüê; no Nordeste: cassac ou timbuo; no Mato Grosso e Paraguai: micurê e no resto do Brasil recebe o nome de Gambá
NOME EM INGLÊS: Large American Opossums
NOME CIENTÍFICO: Didelphis marsupialis
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA: do Canadá ao norte da Argentina. Brasil, Paraguai, Guianas, Venezuela;
HABITAT: Floresta, Campos e Centros urbanos;
HÁBITOS ALIMENTARES: Onívoro. Alimenta-se principalmente de frutos silvestres, ovos e filhotes de pássaros. Também visita galinheiros, causando imenso estrago.
GESTAÇÃO: 12-13 dias;
A FÊMEA POSSUI: 12 ou 13 tetas;
PESO DO EMBRIÃO AO NASCER: 2g (em torno de 1 cm) e completam seu desenvolvimento na bolsa materna.
Nº DE CRIAS: 3 por ano;
Nº DE FILHOTES: 10 a 15 por ninhada;
PERÍODO DE VIDA: 2 a 4 anos;
TAMANHO: Pode atingir 50 cm de comprimento sem contar a cauda, quase do mesmo tamanho.
CARACTERÍSTICAS: Apresenta corpo maciço, pescoço grosso, focinho alongado e pontudo, membros curtos e cauda preênsil, bastante grossa, redonda e afilada, só peluda na base, tendo pequenas escamas revestindo a parte restante.
FÊMEA: A fêmea possui um marsúpio bem desenvolvido, ao contrário de outros da mesma família, que só tem 2 dobras ventrais abertas.
PELAGEM: a cor da pelagem varia muito, indo do branco (animais velhos) ao negro (animais jovens) e passando por todas as tonalidades de cinzento e bruno intermediárias.
Origem do Nome: O termo popularizado gambá, originou-se da língua tupi-guarani, onde "gã'bá" ou "guaambá", corresponde a um seio oco, ou seja, uma referência ao marsúpio (característica única dos marsupiais, onde uma abertura ventral em forma de bolsa, abriga em seu interior, mamas, onde os filhotes nutrem-se e protegem-se durante parte de seu desenvolvimento). Quando os filhotes entram na bolsa têm só 1 cm e ficam lá dentro 70 dias, onde se desenvolvem e tem condições de enfrentar a selva. Constrói ninhos com folhas e galhos secos, em ocos de pau e buracos velhos de árvores.
O que pode marcar nessa espécie não são apenas as características físicas, mas um fato importante relacionado ao comportamento e fisiologia. Sendo mais exato nas palavras, seu famoso odor. O líquido fétido produzido pelas glândulas axilares é utilizado pelo animal como defesa, em caso de perigo iminente. Deixando seu agressor em estado complicado, o gambá consegue sair da situação rapidamente. Na fase do cio, a fêmea costuma exalar este odor para atrair, de forma mais poderosa, a atenção de eventuais pretendentes. Outra estratégia para escapar dos perigos é o comportamento de fingir-se de morto até que o atacante desista. Muitas vezes, quando finge estar morto, resiste imóvel até sob cacetadas. Mas basta que o atacante se distraia para o gambá correr em direção à mata. Surgiu nos EUA, uma expressão que homenageia essa estratégia, a "playing opossum", ou "fingir-se de gambá morto".
Além de se alimentar de aves e seus ovos, o gambá tem especial predileção por sangue. Por isso, é conhecido como sanguinário. Abre o pescoço, abaixo da cabeça, e rompendo a jugular de suas vítimas, se sacia com o sangue que jorra. Sacrifica quantas aves puder apanhar, mesmo não bebendo o sangue de todas. A seguir, entra num estado de torpor profundo, sendo encontrado pela manhã, ainda inebriado ou em êxtase, como de ressaca. Deste fato surgiu a crença que basta por uma caneca com pinga no galinheiro, que na manhã seguinte o gambá estará totalmente embriagado. Do fato surgiu o dito: "bêbado como um gambá". Porém, esta preferência por álcool nunca foi observada e comprovada pela Ciência.
Provavelmente por estas histórias, algumas lendárias e outras com fundamento científico, o gambá é visto em muitas regiões com certa antipatia. Mesmo sendo marsupiais inofensivos e muito úteis ao homem por apresentarem um grande "menu", o que reflete no controle do ecossistema, isso não impede que estes mamíferos sejam mortos corriqueiramente.
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