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A ÁRVORE GENEROSA , DE SHEL SIVERSTEIN CLÁSSICO DA LITERATURA INFANTIL, REEDITADO NO MUNDO INTEIRO HÁ 40 ANOS, RESSURGE NO BRASIL, NA TRADUÇÃO DO ESCRITOR FERNANDO SABINO Dando prosseguimento à publicação de autores fundamentais da literatura infanto-juvenil, a Cosac Naify incorpora mais um título do norte-americano Shel Silverstein (1930-1999): A árvore generosa. A opção da editora pelos livros deste escritor e ilustrador não tem nada de casual: passa sobretudo pela afinidade com seu posicionamento diante de questões fundamentais da vida - e seu modo sensível e magistral de tratá-las. Silverstein viveu a contra-cultura dos anos 60 e foi um ativista de valores como desarmamento e ecologia. Sua defesa era por um estilo de vida simples, próximo à natureza, o que o levou a se popularizar também como letrista de canções no estilo country. Influenciado pelo contexto da Segunda Guerra Mundial e por ter servido o exército norte-americano na Coréia nos anos 50, o autor expressa preocupações de quem passou pela experiência da guerra. Daí seu engajamento contra o uso de armas, o excesso de consumismo e a destruição da natureza. A Cosac Naify reedita A árvore generosa, o clássico de 1964, na tradução do escritor Fernando Sabino. O livro foi publicado por Silverstein no mesmo ano de Uma girafa e tanto, título que a Cosac Naify trouxe na versão de outro importante tradutor, o poeta Ivo Barroso. Já Leocádio, o leão que mandava bala, de 1963, foi o primeiro livro infantil do autor; um grande sucesso talvez responsável pelo estímulo que ele teve para escrever outros oito títulos para crianças. Embora suas histórias façam parte dos catálogos infantis, Silverstein é um desses poucos autores que se pode afirmar serem, de fato, para todas as idades. Dono de um traço preciso, ele realiza no próprio desenho sua visão de mundo: dizer muito com extremamente pouco. E o faz de modo crítico e ao mesmo tempo sutil. Pode-se dizer que a grande virtude deste autor é conseguir dar um
tratamento leve e bem humorado para assuntos muito complexos, que
envolvem visões e postura de vida. O traço essencial de Silverstein,
que utiliza poucos elementos gráficos e apenas a cor preta, nos faz
apreender sensivelmente toda sua filosofia: a aposta num mundo sem
guerras, de respeito e sintonia com a natureza. SITE DO SHEL Para saber mais sobre o autor e suas obras publicadas, é interessante visitar o website que a editora Harper Collins, dos EUA, mantém sobre o autor, repleto de animações, jogos e músicas para as crianças, além de informações sobre todos os livros de Shel Silverstein. Porém o conteúdo está disponível apenas em inglês: ótimo para a garotada praticar o idioma! A ÁRVORE GENEROSA - UMA APRENDIZAGEM DO AFETO Este é o título mais conhecido de Shel Silverstein. O clássico de 1964 comoveu gerações com a história do amor entre uma árvore e um menino. A capa - em preto-e-branco nos outros livros do autor - aqui é colorida em dois tons de verde, nos dando logo uma pista da importância do caráter ecológico da fábula. A árvore é a amiga amorosa que dá tudo ao menino: suas folhas,
seus frutos, sua sombra. O menino também ama a árvore, a grande
companheira de todos os dias: sobe em seu tronco, se pendura nos galhos,
brinca de esconde-esconde. Até que vai crescendo, se torna adolescente,
depois adulto. E, pouco a pouco, deixa "Estou grande demais para brincar", diz o menino, que então precisa de dinheiro para comprar "muitas coisas". A árvore fornece suas maçãs, para o jovem vender. Depois seus galhos, para o homem construir sua casa. E a história acompanha o passar do tempo até a velhice do homem - que até o fim, já bem velho e cansado, ainda é chamado de menino pela árvore. Em primeiro plano, uma lição de consciência ecológica: o homem pequeno, mesquinho, frente à generosidade e a força da natureza. No entanto, a dinâmica que vemos entre o menino e a árvore fala também da passagem do tempo e dos valores que são reavaliados com ela. A árvore ensina, por meio do afeto, uma relação de troca sincera e desinteressada - essa que o homem parece desaprender nas exigências da vida adulta.
SOBRE O AUTOR Em entrevista para a Publishers Weekly , em 1975, Sheldon Allan Silverstein (1930-1999) confessou que quando criança "gostaria de ter sido um talentoso jogador de beisebol ou um sucesso entre as garotas. Mas eu não sabia jogar, nem dançar. Então, comecei a desenhar e a escrever". Natural de Chicago (Estados Unidos), Silverstein publicou suas primeiras histórias no jornal militar Pacific and Stripes , enquanto servia o exército na Coréia, nos anos 50. Seu trabalho chamou a atenção da Playboy , onde colaborou duran-te seis anos, e ganhou notoriedade internacional com o cartum que representa um prisio-neiro acorrentado à parede pelos pés e pelos punhos dizendo a outro acorrentado: "Pssst! Tenho um plano!".
Em 1961, estreou com o romance Uncle Shelby's ABZ Book , que despertou a curiosidade de um editor de livros infantis. Dois anos depois, Silverstein lançaria sua primeira publicação para crianças, Leocádio, o leão que mandava bala (Cosac Naify, 2003). Desde então, não parou de escrever. Muitos de seus livros, como Uma girafa e tanto (Cosac Naify, 2003), foram traduzidos em dezenas de países. Mas foi A árvore generosa (1964) que o consagrou. No Brasil, a obra ganhou maior notoriedade graças à tradução do escritor Fernando Sabino. Silverstein também se popularizou como letrista de canções, especialmente de es- tilo country . Arriscou-se, ainda, a escrever algumas peças de teatro e roteiros de cinema, sendo o mais famoso Things change (1988), em co-autoria com David Mamet. SOBRE O TRADUTOR Com dezenas de livros publicados, o mineiro Fernando Sabino (1923-2004) é um dos escritores mais lidos do país. Precoce, publicou seu primeiro conto aos doze anos de idade e o primeiro livro aos dezessete. Escreveu crônicas -- é considerado um mestre do gênero --, contos e romances. O encontro marcado (1956), que o consagrou como romancista, é fortemente autobiográfico e foi traduzido para várias línguas; "O homem nu" (1960), crônica divertida, já rendeu dois filmes. Sabino foi também jornalista, editor, cineasta -- fez documentários sobre escritores brasileiros -- e tradutor. Passou a maior parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde morreu na véspera de completar 81 anos. LIVROS DE SILVESTEIN NA COSAC NAIFY: |
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