Esses
amáveis animais da floresta, que sobrevivem em cima das árvores, são o símbolo
da APROMAC. Mas ...
Quem
são os Bichos-preguiças?
Por:
Vera Lúcia de Oliveira - Biológa
São
animais da Família Bradypodidae e da Ordem Edentata (a mesma dos tatus e
tamanduás). Esses animais são parentes das preguiças gigantes
ou terrestres da Família Megatheriidae que existiram há centenas ou
milhares de anos, inclusive na Bahia, onde já foram encontrados seus fósseis.
As preguiças atuais ocorrem apenas nas matas do continente americano e estão
divididas em cinco espécies diferentes, que podem ter dois ou três- dedos nas
patas anteriores. No Brasil existem três- dedos: Preguiça-comum (Bradypus
variegatus) que se encontra desde Honduras ao Norte da Argentina e todas as
florestas do Brasil, Preguiça de Bentinho (Bradypus tridactylus)
se encontra na Venezuela, Bolívia, Rio Orinoco, Guianas adjacentes ao Norte
do Brasil, Amazonas, Rio Negro, Rio Amazonas e
Preguiça de coleira (Bradypus
torquatus) vive somente nos
remanescentes florestais do trecho da Mata Atlântica que vai do Rio de Janeiro
ao Sul da Bahia e é a espécie mais ameaçada de extinção.
CARACTERÍSTICAS
As
preguiças são animais de porte médio (cerca de 3.5 a 6 kg quando adultas), de
coloração geral cinza, tracejada de branco ou marrom ferrugem, podendo ter manchas claras ou
negras. Preferem viver em árvores altas, com copa volumosa e densa e muitos cipós,
onde se penduram usando as garras que, embora possam parecer assustadoras,
praticamente não servem para nenhuma defesa, devido á lentidão dos seus
movimentos. Graças a essa extrema
lentidão, a sua coloração e ao fato de permanecerem na copa de árvores muito
altas, é muito difícil enxergar
as preguiças na mata. Mesmo assim, elas têm predadores naturais, como a
harpia, as onças e algumas serpentes.
AMEAÇAS
DE EXTINÇÃO
Mas,
atualmente, o principal predador desses animais é mesmo o homem, que
comercializá-las inescrupulosamente em feiras livres e nas margens de rodovias.
A ação do homem sobre esses animais tem sido muito facilitada, nos últimos
tempos, pela acelerada fragmentação e destruição das matas, o que leva as
preguiças a se locomoverem desajeitadamente pela superfície do solo, de uma
ilha de mata para outra, em busca de sobrevivência, ficando totalmente expostas
á caça e á captura.
CUIDADO
MATERNO
As
fêmeas dos bichos-preguiça carregam o filhote nas costas e ventre durante
aproximadamente os nove primeiros meses de vida. Durante esse período, a mãe
protege o filhote, enquanto ele se prepara para sobreviver sozinho no ambiente
da mata. Geralmente a ação predadora do homem quando mata a mão, o filhote não
sobrevive.
ALIMENTAÇÃO
A
seletividade alimentar das preguiças é notadamente alta. Na natureza,
alimenta-se de folhas novas de um número restrito de árvores, dentre as quais
se conhece a embaúba, a ingazeira, a figueira, a tararanga...
É provável que elas precisem ingerir folhas de mais de uma espécie de
árvore para satisfazerem plenamente as suas necessidades nutricionais. Por
isso, a sobrevivência das preguiças só é possível em áreas relativamente
grandes de mata ou capoeira desenvolvida, para que ela possa encontrar alimento
necessário e de boa qualidade. Pelo que se conhece, cada preguiça explora uma
área territorial definida, podendo ou não mudar-se para outra depois de algum
tempo. Nesse território existe sempre uma árvore preferida, que ela mais freqüenta.
OS
BICHOS-PREGUIÇA COLECIONAM PARTICULARIDADES
ANATÔMICAS, FISIOLÓGICAS E COMPORTAMENTAIS
-
A
sua temperatura corporal é sempre muito próxima da do ambiente, sendo por
isso considerados animais homeotérmicos imperfeitos;
-
O
estômago dos bichos-preguiça é um tanto semelhante ao dos animais
ruminantes, pois é dividido em quatro compartimentos e contém uma rica
flora bacteriana, que permite a
digestão inclusive de folhas
com alto teor de compostos naturais tóxicos;
-
A
sua pelagem difere da de todos os outros animais, os seus pelos apresentam
ranhuras, propiciando a fixação de algas verdes e cianofíceas, que
conferem à pelagem uma coloração esverdeada, que ajuda o animal
a camuflar-se entre as folhas das árvores;
-
As
algas que se desenvolvem na sua pelagem servem de alimento para as lagartas
de determinadas espécies de mariposa, que vivem associadas aos
bichos-preguiça;
-
Várias
espécies de besouro e ácaro se alimentam das fezes das preguiças e usam
esses animais principalmente como transporte (forésia);
-
Nunca
bebem água; a água que necessitam para viver é absorvida do próprio
alimento, através das paredes intestinais, durante o processo de digestão;
-
Urinam
e defecam apenas a cada 7 ou 8 dias, sempre no chão, próximo à base da
sua árvore em que costuma se alimentar. Com isso, há uma reciclagem dos
nutrientes contidos nas folhas ingeridas pelo animal, que são parcialmente
devolvidos á árvore através dos seus dejetos;
-
Possuem
membros compridos, corpo curto, cauda curta e grossa, adaptados para o seu
modo de vida (sempre pendurados em galhos da copa de árvores altas);
-
Possuem
8 a 9 vértebras cervicais, o que lhes possibilita girar a cabeça 270o sem
mover o corpo;
-
Seus
movimentos são sempre muito lentos e costumam
dormir cerca de 14 horas
por dia; por isso ganharam o nome de BICHO-PREGUIÇA.
COM
AÇÕES SIMPLES E AO SEU ALCANCE, VOCÊ PODE AJUDAR A SALVAR O BICHO-PREGUIÇA E
O SEU HABITAT DA EXTINÇÃO
-
Não
cace e não deixe que outras pessoas cacem. As ilhas de matas que sobraram não
comportam mais populações de animais que resistam á caça predatória.
-
Não
compre animais silvestres. Mesmo que você sinta pena, a compra estimulará
a captura para o comércio ilegal. Não deixe que os seus parentes ou amigos
comprem animais silvestre.
-
Não
destrua as florestas é o habitat dos animais também sua vida depende
delas.
-
Preserve
a fauna e flora.
-
Respeite
toda forma de vida, pois na diversidade biológica está a riqueza futura.
-
Respeite
a natureza e sinta-se parte dela e não seu dono.
VOCÊ
PODE FAZER ALGO PARA MUDAR ISSO:
Se
ninguém mais comprar, os traficantes terão que mudar de atividade e milhões
de animais deixarão de ser sacrificados! Se você encontrar alguém vendendo ou
maltratando animais, avise o IBAMA, o IAP ou a POLÍCIA MILITAR.
Este
artigo é de autoria da Verinha (Vera Lúcia de Oliveira - Biológa), cujo
trabalho em defesa das preguicinhas é conhecido nacional e internacionalmente
a quem prestamos nossas homenagens.